VISEU

A origem de Viseu antiga perde-se nas brumas do tempo. Aqui estanciaram homens das Idades remotas da pré-história e conviveram Celtas e Lusitanos: aqui se fixaram os Romanos em séculos de prosperidade e paz e por aqui passaram povos invasores: Suevos, Godos e Muçulmanos...


No tempo dos Suevos, em meados do século VI, já Viseu tinha os seus bispos, sufragâneos de Braga. Mais tarde, porém, com a chegada dos Muçulmanos e a derrocada do reino visigodo, o receio das violências dos infiéis obrigou-os a tomar o caminho do exílio e a refugiar-se nas longínquas montanhas das Astúrias.


Mudando frequentemente de mãos, ora em poder de cristãos, ora de maometanos, apenas a 1058 a cidade de Viseu, graças à vitória de Fernando Magno, rei de Leão, logrou a sua liberdade. Contudo, apenas cem anos após a reconquista é que a Diocese estava em condições de sustentar um bispo próprio, tendo sido governada pelos Bispos de Coimbra, destacando-se S. Teotónio, patrono actual da Cidade.


Acabado o perigo das razias mauritanas, a população radicou-se e a Cidade prosperou pacificamente até 1383,ano em que é morto El-rei D. Fernando, o rei de Castela ao tentar fazer valer, pela força das armas, os seus direitos ao trono de Portugal. Então por ter seguido o partido do Mestre de Avis, passou Viseu a ser um dos alvos preferidos dos castelhanos: mais de uma vez saqueada e queimada, a população escapou por milagre à chacina, barricando-se na Sé.


Cidade indefesa, à mercê de Castela, foi das terras portuguesas que mais sofreram, para que Portugal continuasse livre. Acabou por sobreviver aquando a concórdia entre as duas nações peninsulares


Protegida por uma cinta de muralhas, servida por sete portas, a cidade desenvolveu-se como nunca. Levantou as abóbadas da Catedral, chamou Grão Vasco para seu vizinho e, mandou esculpir nos portais, nas janelas e nas cornijas das suas casas os sinais da sua prosperidade. Hoje, estes sinais são um dos mais belos conjuntos do País, de casas, portais e janelas dos estilo gótico e manuelino, dispersos por todos os recantos, sobretudo nas típicas ruazinhas aconchegadas à Catedral.


Contudo, a nação decai com Alcácer Quibir, ficando sem rei…porém rapidamente se ergue a 1 de Dezembro de 1640 com a restauração da Independência, instaurando-se a dinastia portuguesa da Casa de Bragança.


Uma febre alta de renovação iria agora contagiar o País de lés-a-lés. Capela, igrejas, fontanários e velhos solares tudo se refez ao impulso do novo estilo arquitectónico e de vida: o Barroco, deixou uma forte marca na cidade.


Viseu
é a cidade capital do Distrito de Viseu, na região Centro com 47 250 habitantes, sendo por isso a terceira maior e mais populosa cidade no Centro de Portugal, a seguir a Coimbra e Aveiro. Viseu é igualmente sede de Diocese e de Comarca. Segundo um estudo da DECO de 2007, Viseu é a 17ª melhor cidade europeia, sendo ainda a melhor das 18 cidades capitais de distrito portuguesas com melhor qualidade de vida.


S
é Catedral
A base arquitectónica da Sé Catedral remonta aos séc. XIII – XIV, estilo Românico-Gótico, tendo-se a construção prolongado por vários séculos. A sua originalidade resulta, em boa medida, das inúmeras transformações de que foi objecto ao longo dos tempos. A fachada actual, estilo Maneirista, divide-se em três corpos cujos nichos albergam estátuas dos quatro evangelistas (lateralmente), de São Teotónio, padroeiro da Catedral e de Nª Sr.ª da Assunção (ao centro). É ladeada por duas torres, a do Relógio Românico - Gótica e a dos sinos, Contemporânea na fachada.
Á entrada, lateral à igreja, o claustro Renascentista, com diversas capelas, portais e túmulos; os painéis de azulejos que ilustram episódios da vida de S. Teotónio, o regresso da Sagrada Família do Egipto e a adoração dos Magos.
Entrando no templo a “abóbada de nós”, (séc. VXI), os retábulos e a exuberante talha dourada. Da zona do transepto, a escadaria de granito dá acesso ao coro alto, ao claustro de cima e à Varanda dos Cónegos que faz a ligação à antiga Torre de Menagem.

Tesouro de Arte Sacra
Situado no claustro superior da Catedral é constituído por peças do tesouro da Sé como esculturas, mobiliário, custódias, cofres, relicários, paramentaria, livros, etc.


Igreja da Misericórdia (Data provável 1510)
Em frente á catedral, a sua origem remonta ao estilo XVIII, estilo “Rocaille”. No seu interior: retábulos em estilo Neoclássico, pintados em branco e dourado, telas de motivos religiosos, algumas da autoria de António José Pereira (pintor Visiense 1821-1895). No trono do retábulo-mor, uma imagem da Nª Sr.ª da Misericórdia (séc. XVIII), protegendo um par de pobres ajoelhados a seus pés. Numa das portas laterais da igreja, pode-se visitar o Museu da Misericórdia. Aqui podemos encontrar em exposição, uma galeria de retratos de alguns benfeitores da instituição, diversos objectos ligados ao ritual religioso, e ainda alguns utensílios da antiga farmácia do Hospital  da Misericórdia de Viseu.


Museu de Grão Vasco
Contíguo à catedral, do lado norte, fica um majestoso edifício em granito, o antigo Paço dos Três Escalões, actualmente Museu de Grão Vasco. A sua principal colecção é constituída por um conjunto notável de pinturas de retábulo, proveniente da Catedral e de igrejas da região, da autoria de Vasco Fernandes (c 1475 – 1542), o Grão Vasco, de colaboradores e contemporâneos.


Rua Formosa
"Uma "formosa" rua que liga o centro da cidade, a Praça do Rossio, ao Largo de Santa Cristina. É ambientada por casas de comércio tradicional e edifícios que obedecem à estética Arte Nova; é lá que se localiza o Mercado Municipal, um espaço reconvertido em zona de comércio e de lazer, segundo projecto do arquitecto Álvaro Siza Vieira.


Rua Direita
Coração do comércio tradicional, esta rua estreita e sinuosa acompanha o declive da meia encosta e era, em tempos medievais, o caminho mais directo para chegar á cidadela. Os andares térreos são ocupados por lojas em que os comerciantes continuam a expor os produtos no exterior, de acordo com o nome tradicional da rua que, até ao séc. XVII, era também conhecida por “Rua das Tendas”. Interessantes pormenores nas fachadas – janelas e varandas enfeitadas com flores, janelas manuelinas. Nesta rua há antigas mansões dos séc. XVI a XVII, destacando-se a antiga Casa da Viscondessa de Treixedo”.

Casa de D. Duarte e a Janela Manuelina
Uma tradição infundada chama-lhe a Casa de D. Duarte e erroneamente ali situa o berço do Rei. O supremo interesse da velha moradia advém-lhe da lindíssima janela geminada que o cónego Pêro Gomes de Abreu mandou rasgar, no século XVI. É uma belíssima janela, de movimentada decoração, numa perfusão de elementos vegetalistas. O brasão de armas é enquadrado por duas pedras ricamente decoradas com motivos que se entrelaçam.


Teatro Viriato
Palco da Cidade...Uma verdadeira Casa de Artistas!!! Construído a 13 de Junho de 1883, é no ano de 1999 que abre de novo as portas ao público quer para produção de espectáculos, quer para formação. É composto por um Bar, uma Mini Biblioteca, um Espaço Multimédia, um Estúdio de Dança, uma Sala de Ensaios, um Canto de Teatro, decorado com objectos alusivos ao passado histórico do próprio Teatro e Bilheteira.


Porta dos Cavaleiros
Uma das primitivas entradas do burgo medieval. Sobre o arco repousa um nicho albergando uma imagem do século XVIII representativa de N. Sr.ª da Graça.


Cava do Viriato (Século II ou I a. C.) e Estátua de Viriato
Vasta área de planta octogonal, rodeada de muros, taludes e um fosso, de protecção, possivelmente um acampamento militar romano, de carácter permanente, construído pelos Romanos quando da sua presença na Península Ibérica. À beira da Cava de Viriato, ergue-se a estátua de Viriato, o valente guerreiro, que personificou a luta contra o invasor romano e que Viseu adoptou como personagem do seu imaginário na construção da imponência da cidade.


Parque do Fontelo
Antiquíssima mata que fazia parte da Quinta do Paço dos Bispos. A mata é rica em espécies vegetais e árvores (castanheiros e carvalhos), existindo ainda diversos equipamentos desportivos (courts de ténis, piscinas, pavilhão polivalente, estádio), um parque infantil e um parque de campismo.


Solar do Vinho do Dão
Antigo Paço do Fontelo, teve a sua origem numa herdade com o mesmo nome e foi, em tempos habitação dos antigos bispos de Viseu. È uma bela quinta ladeada de jardins e possuidora de algumas Capelas, sendo agora sede da Comissão Vitivinícola Regional do Dão.


Praça do Rossio
“O centro da maioria das cidades é o Rossio, oficialmente a Praça da Republica”. Em Viseu, esta foi e é o “Salão de Visitas da Cidade”, habitual ponto de encontro e local de passeio e convívio.


Painel de Azulejos (1931)
Constitui-se como um apelativo painel em tintas azuladas, fazendo o enquadramento da Praça do Rossio. Representa a vivência própria da cidade e das suas gentes num tempo em que se vivia gostosamente.


Igreja dos Terceiros de São Francisco (Construção barroca do séc. XVIII 1746 – 1763)
De localização privilegiada, impondo-se no alto da sua escadaria, a Igreja dos Terceiros de S. Francisco é um dos mais harmoniosos templos da cidade. Construção da metade do séc. XVIII, estilo Barroco é dedicada a S. Francisco de Assis.
Possui o mais harmonioso conjunto de retábulos de talha policromada e dourada da cidade de Viseu, em estilo Rococó. O colorido dos retábulos e púlpitos em “lápis-lazúli” combina-se de forma melodiosa com os azuis e brancos das paredes revestidas a azulejos. Os azulejos historiados representam momentos da vida de S. Francisco, num intuito de doutrinação permanente.O órgão que se encontra no coro é uma admirável ob ra dos finais do século XVIII.


Parque Aquilino Ribeiro
Vulgarmente chamado Parque da Cidade,   apresenta-se como um aprazível espaço de fruição da Natureza onde existem grandes árvores, diversas espécies botânicas, lago e zona relvada, tendo feito parte da quinta do antigo Convento de Sto. António dos Capuchos (doado aos franciscanos em 1635). No parque pode ainda visitar-se a Capela de Nª Sª da Vitória (séc XVII)  e observar-se a estátua de João de Barros.
A designação actual – Parque Aquilino Ribeiro – é com certeza a homenagem merecida do povo da beira ao grande escritor beirão.

 



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